EXPOSIÇÃO “PENICHE: A CHAVE DO REINO – 400 ANOS A DEFENDER PORTUGAL”

CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO  |  FOLHAS DE SALA: PORTUGUÊS E INGLÊS

Com a Restauração da independência nacional, a 1 de Dezembro de 1640, teve início um ambicioso programa de fortificação das fronteiras do reino, de forma a precaver uma possível reconquista espanhola. Nesse período tiveram lugar inúmeras obras de recuperação, ampliação e modernização dos castelos fronteiriços, bem como a edificação de novas fortificações, essencialmente na orla costeira, zona até então relativamente descurada do ponto de vista militar. Sendo recorrente a ideia que qualquer possível invasão hostil à nacionalidade teria necessariamente uma componente de desembarque por via marítima, tal assumpção motivou a fortificação da costa portuguesa, através da construção faseada de um amplo sistema defensivo, com particular destaque para a região de Lisboa e zonas limítrofes. Pela sua proximidade da capital e facilidade de desembarque, a região de Peniche mereceu especial atenção.

Em missiva do Conselho de Guerra, criado por D. João IV, datada de 1642, alude-se ao facto de ser necessário agilizar a fortificação de Peniche por esta ser uma “(…) praça de tão grande importância e a principal chave do reyno pela parte do mar (…)”. Com efeito, já em 1589 D. António Prior do Crato havia tentado a tomada de Lisboa, à data sob dominação filipina, desembarcando na baia meridional do istmo de Peniche, junto ao promontório da Consolação, com um exército inglês composto por doze mil homens. Seguramente recordada deste episódio, a Coroa portuguesa priorizou a fortificação deste território.

Durante perto de trinta anos, entre 1642 e 1671, é edificado um sistema defensivo composto por várias fortificações, no qual pontifica, enquanto cabeça deste complexo, a Fortaleza de Peniche (concluída em 1645). Este estendia-se para além do espaço concelhio abrangendo, a Norte, os fortes de S. Martinho (S. Martinho do Porto - Alcobaça) e de S. Miguel da Pederneira (Nazaré) e, a Sul, os fortes de Nossa Senhora dos Anjos de Paimogo (Lourinhã), de Nossa Senhora da Graça de Penafirme (A-dos-Cunhados - Torres Vedras), de Santa Susana e S. Pedro de Milregos (Mafra). Destacam-se ainda as Muralhas da Praça de Peniche, linha amuralhada que, ligando dois baluartes e três meio baluartes, atravessava os terrenos do istmo de mar a mar. Concluída em 1671, esta cortina defensiva é encabeçada pelo Forte das Cabanas, estendendo-se fronteira ao braço de mar, utilizado a partir deste período também como fosso militar, que ao longo da face oriental da antiga ilha ligava a Vila de Peniche à povoação de Peniche de Cima, terminando junto ao Forte de N.ª Sr.ª da Luz. Junto ao Cabo Carvoeiro é construído o Forte de N.ª Sr.ª da Vitória. Completando o complexo defensivo, são edificados o Forte de N.ª Sr.ª da Consolação, entre 1642-45, e o Forte de S. João Baptista, na Ilha da Berlenga, entre 1654-56.

Passado o período pós-restauração, a preocupação de reforço defensivo deste território regressa com as chamadas Guerras Liberais (1828-34). Nessa época assiste-se à edificação, pelas tropas liberais, na fachada Norte da península de Peniche, entre 1831-32, da chamada Linha dos Moinhos, apoiada por um conjunto de baterias no Porto da Areia Norte. Na fachada Sul é construído o Forte da Areia Sul. No núcleo urbano da vila é construído sobranceiro ao porto o Forte de Santo António.

Paralelamente, assiste-se à criação e estacionamento nesta praça militar de um regiment o Terço de Peniche. A este, criado em 1698, sucederá em 1707 o Regimento de Peniche. Em 1806, fruto da reorganização do Exército, o Regimento de Peniche estará na génese do, ainda existente, Regimento de Infantaria n.º 13.

A preocupação de defender a Praça de Peniche moldou uma paisagem pautada por fortalezas, fortes, baluartes e baterias, marcando indiscutivelmente a vivência deste território ao longo dos últimos quatrocentos anos, sendo apanágio da autonomia administrativa resultante da elevação desta povoação a vila e sede de concelho, por Filipe II, em 12 de Novembro de 1609.

A temática desta exposição, que intitulámos Peniche: a chave do reino – 400 anos a defender Portugal, centra-se na apresentação de cartografia militar versando o sistema defensivo da região de Peniche, edificado essencialmente nos últimos quatro séculos, contribuindo deste modo para evocação do 4º Centenário da Elevação de Peniche a Vila e Sede de Concelho (1609-2009).

Nesta exposição são apresentados fac-similes de mapas, plantas e alçados de fortificações localizadas no espaço concelhio, documentação em grande parte inédita e desconhecida do grande público, pertencente ao acervo do Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar da Divisão de Infra-Estruturas do Exército, entidade que em parceria com a Câmara Municipal de Peniche participa na organização desta exposição.

Das peças expostas, destacam-se levantamentos de estruturas edificadas, projectos de obras executadas, e doutras que nunca saíram do papel, produzidos entre o séc. XVIII e o séc. XX. Algumas destas fortificações já não existem ou encontram-se em risco de iminente destruição, fundamentalmente por acção da erosão costeira. No entanto, todas são demonstrativas da importância geoestratégica da região de Peniche, sem dúvida, “a chave do reino”.

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