Apresentada obra na Fortaleza de Peniche sobre a tortura durante o Estado Novo

Apresentada obra na Fortaleza de Peniche sobre a tortura durante o Estado Novo
Apresentação da obra "Estátua - a tortura preferida da PIDE" [+] Fotos

No passado dia 11 de Junho, pelas 18h00, teve lugar na Capela de Santa Bárbara, na Fortaleza de Peniche, a apresentação da obra "A Estátua - A Tortura preferida pela PIDE", da autoria de José Antonio Pinho.

Este romance, baseado em factos reais, relata a experiência pessoal do autor, preso pela PIDE em 1959, e alvo da, tristemente celébre, tortura da “Estátua”.

Nesta sessão de apresentação, assistiu-se a uma contextualização do percurso pessoal de José António Pinho, feita pelo Presidente da Câmara Municipal, Dr. António José Correia, à qual se seguiu a apresentação da obra pelo referido autor, na qual este relembrou o período de cárcere na então Cadeia do Forte de Peniche.

A sessão foi ainda abrilhantada pela actuação do Grupo Lua Nova, que interpretou alguns temas da autoria de Zeca Afonso.

De referir, que esta obra poderá ser adquirida no Museu Municipal de Peniche - "A Estátua - A Tortura preferida pela PIDE”, de José António Pinho Âncora Editora, Lisboa, 2010.

Sinopse

Com a obra a "A ESTATUA" o autor caracteriza politicamente os anos de 1958 e 59, com o despertar para a cidadania de um grupo de jovens a quem o General Humberto Delgado tocou decisivamente.

O despertar para a realidade nua e crua da falta de liberdade de uma juventude que queria mais do que namorar e estudar.

A força operária, o sentido de classe, das gentes da Covilhã, as suas associações, clubes e cafés, que sem se aperceberem moldavam já as suas mentes.

A religião católica e a vivência revolucionária de Jesus Cristo iriam ser determinantes nas suas actuações futuras, a par do aparecimento do triunfo da revolução cubana e do seu grande líder Che Guevara.

O encontro com o Partido Comunista Português, com o serrador Zé Pires, as pequenas tarefas revolucionárias, os amores de jovens irrequietos, o padre Carreto, a carta do Bispo do Porto, culminam com as suas prisões pela PIDE.

Num discurso simples e directo, trata-se da narrativa dos 40 dias vividos nas masmorras da polícia política, em Coimbra, em particular dos sete dias de tortura.

A relação com os agentes da PIDE, o medo, o pânico, a alucinação, o desejo de morrer e de não falar, a tábua de salvação que permitiu não falar, não denunciar, são escritas em palavras de lágrimas de sangue e de amor.

 

Nota Biográfica

José António Gabriel Pinho nasceu em Melo, concelho de Gouveia, na encosta da Serra da Estrela. Viúvo de Fernanda Fazendeiro Pinho, é pai de dois filhos. Reside na cidade da Covilhã desde a infância.

Em 1959, foi preso pela PIDE. Durante o Estado Novo esteve detido em várias prisões civis e militares, entre os quais o Forte de Peniche e o de Caxias. Incorporado no Serviço Militar em 1962, na Companhia Disciplinar de Penamacor. Em 1963, por motivos políticos, cumpre prisão na Casa de Reclusão Militar de Viseu. Dado como indesejável ao Exército Fascista de Salazar, é enviado para o Presídio Militar do Forte da Graça, em Elvas, onde é duramente punido ao trabalho forçado do barril.

Em 1967, casado há apenas sete meses, foi novamente preso pela PIDE, pela sua intervenção no movimento associativo, sendo uma vez mais encarcerado nos calabouços da PIDE na cidade da Guarda. Desenvolveu grande actividade política ao lado do escritor António Alçada Batista, nas pseudo eleições de 1969, apresentando-se, em 1973, nas listas do MDP-CDE como candidato pelo círculo de Castelo Branco à Assembleia Nacional. Entre os anos de 1958 e 1982 foi militante do PCP.

A par da política, tem desenvolvido intensa actividade desportiva e associativa, sendo dirigente e presidente de vários clubes e associações da Covilhã; Grupo Campos Melo, Clube Nacional de Montanhismo, Clube Desportivo da Covilhã e Sporting Clube da Covilhã. Presidente de 2000 a 2008 e co-fundador da Federação de Desportos de Inverno de Portugal. Membro da Direcção do Rádio Clube da Covilhã.

Empresário na área dos combustíveis líquidos e gasosos, na Covilhã.


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