PATRIMÓNIO DO MÊS DE JULHO – RENDA DE BILROS DE PENICHE

PATRIMÓNIO DO MÊS DE JULHO – RENDA DE BILROS DE PENICHE
Património Mês de Julho - Renda de Bilros de Peniche

Em julho, no âmbito da iniciativa “Património do Mês”, está patente no Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia um conjunto de rendas de bilros de Peniche premiadas, da autoria de Maria Luísa Ramos Silva, natural e residente em Casais Brancos, freguesia de Atouguia da Baleia.

A Renda de Bilros de Peniche

Esta arte – considerada o ex-libris do artesanato penichense – é conhecida em Peniche há mais de quatro séculos. É sobretudo na transição para o século XX que a produção de rendas de bilros em Peniche se apresenta em ritmo e nível apreciáveis, tendo no concelho – e não apenas na península de Peniche – um peso económico de relevo. As rendas são o sustento ou complemento de várias mulheres e famílias: “Em 1904, em resposta a um questionário recebido da Companhia Real dos Caminhos de Ferro, a Câmara informa que as maiores indústrias do concelho eram a pesca e, imediatamente a seguir, a renda de bilros.” (Mariano Calado, História da Renda de Bilros de Peniche, 2003).

Por norma, definem-se dois grandes tipos de renda de bilros de Peniche:
  • A popular: que se caracteriza por utilizar principalmente fundos de ligação com tranças e pastilhas e também pontos de fundos vários, com desenhos simples e repetitivos, e 
  • A erudita: com fundos de pontos diversos que se distinguem pela beleza, imaginação e complexidade dos seus desenhos e pela arte dos seus ornatos decorativos (florais, marítimos e outros).

A Rendilheira

Atualmente com 70 anos de idade, Maria Luísa começou a aprender renda muito nova, com 7/8 anos. Este é um saber passado de geração para geração.

“Quando eramos pequeninas, [começávamos] a fazer uma [renda] pequenininha, uns picôzinhos. (…) Começava a fazer porque a minha tia fazia renda, a gente punha assim a almofada de lado e ia aprendendo a fazer o ponto, as tranças e as pastilhas e aquelas coisas. Tinha um piquinho, um piquinho estreitinho com um desenho e fomos aprendendo assim. E depois eu fui aprendendo sozinha sempre.”

Depois da escola primária trabalhou como criada em casa de uma família mais abastada durante cerca de dois anos. Regressada a sua casa começou a fazer renda profissionalmente, complementando os seus rendimentos com jornadas de trabalho agrícola. As rendas eram feitas em casa, muitas vezes à luz do candeeiro a petróleo, e vendidas a uma ‘rendeira’ que, por sua vez, as vendia em Lisboa.

“Quando saí da escola ainda fui servir mas depois quando vim para casa foi fazer renda! Aprender. Depois ia aprendendo sozinha, conforme eu ia fazendo as rendas… E eu comecei a fazer rendas bem trabalhosas, logo de nova! Flores e assim. (…) Eu levantava-me de manhã e fazia todo o dia até ao serão e tudo. Às vezes para acabar, outras vezes porque precisava do dinheiro. Era o meu trabalho! Lá ia às vezes, uma tarde ou outra ou assim, pronto, apanhar feijão ou trabalhar nas terras, ganhava-se mais do que estar a renda não é, porque a renda era poucochinho que se ganhava… Foi assim que eu comprei o meu enxoval, até me casar.”

Após o casamento emigrou para o Canadá, tendo retomado esta arte para o enxoval da filha e, sobretudo, desde 2008, quando apresentou pela primeira vez um trabalho seu ao Concurso de Rendas de Bilros de Peniche – e ganhou o 1º prémio!

Mostra Internacional de Renda de Bilros de Peniche

A Câmara Municipal de Peniche organiza, desde 1990, o Concurso de Rendas de Bilros de Peniche, atualmente integrado na Mostra Internacional de Renda de Bilros de Peniche. O Concurso e a Mostra visam valorizar a mulher rendilheira e a arte de tecer renda de bilros e estimular o interesse pelo desenvolvimento, renovação e promoção das rendas de bilros.

Maria Luísa Silva apresentou trabalhos, ao longo dos últimos cinco anos, em ambas as categorias tendo conseguido: em 2008, o 1º prémio de renda erudita; em 2009 o 4º lugar em renda erudita; em 2010, os 2º (ex-áqueo) e 3º lugares em renda popular; e, em 2011, o 1º e 2º prémio de renda popular. As suas rendas são, quase todas, baseadas em desenhos centenários: “Os piques são muito antigos, têm mais de cem anos”. Os 1os prémios constituem agora património do Município e integram as coleções do Museu Municipal de Peniche conforme estabelecido nas normas do referido concurso. Já estiveram patentes em várias exposições itinerantes de renda de bilros de Peniche.

São cinco destes trabalhos (dois 1os prémios – 1 erudito e 1 popular –, dois 2os e um 3o prémio de renda popular) que estarão expostos no Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia durante o mês de julho de 2012.

Aproveitamos para convidar todos os interessados a assistir ao vivo a esta arte na Mostra Internacional de Renda de Bilros de Peniche, entre os dias 26 e 29 de julho de 2012. Maria Luísa também se candidatou ao concurso este ano e estará a trabalhar na Mostra! Os trabalhos resultantes do XX Concurso de Rendas de Bilros de Peniche estarão patentes ao público na Sala de Exposições do Edifício Cultural da CMPeniche de 27 de julho a 31 de agosto.
 
 


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