AVES
Este
arquipélago assume um papel importante para as aves enquanto local de paragem e
repouso para aves migratórias bem como nidificação de aves marinhas, obtendo
alimento no mar e um refúgio ideal na ilha para reprodução.
Como espécies
nidificantes destacam-se o corvo-marinho-de-crista ou galheta (Phalacrocorax
aristotelis) constrói o seu ninho nas prateleiras rochosas das falésias junto
ao mar, em locais praticamente inacessíveis ao Homem. São amplamente conhecidos
os seus dotes de mergulhador, assim como o seu voo característico junto à água.
A população nidificante de pardela-de-bico-amarelo (Calonectris diomedea)
apenas permanece na Berlenga durante o período de reprodução. Estas aves são
facilmente reconhecidas pelo voo planado e pelas suas vocalizações. Nidificam
em buracos na terra ou em cavidades nas rochas e neles colocam apenas um ovo.
Semelhante a
um pequeno pinguim, o airo (Uria aalge) é o símbolo da Reserva Natural da
Berlenga. Ave de voo rápido, alimenta-se principalmente de peixes, mas também
de crustáceos e moluscos. Vive habitualmente em colónias e cada indivíduo
deposita o seu único ovo em pequenas prateleiras nas escarpas. Outrora
numerosos, a sua população na ilha contava nos anos trinta com cerca de 6000
casais, mas ao longo das últimas décadas sofreu um decréscimo que já quase os
levou à extinção.
São ainda
nidificantes, a gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus) e a
gaivota-argêntea-de-patas-amarelas (Larus cachinnans), esta última com o
estatuto de praga.
O refúgio, a
quase ausência de predadores e a fraca perturbação, são também favoráveis à
nidificação de espécies de aves não marinhas, como por exemplo o
falcão-peregrino (Falco peregrinus), o peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus) e
o rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros).
RÉPTEIS
Como únicos
representantes dos répteis podem encontrar-se populações de lagartixa de Bocage
(Podarcis bocagei) e de lagarto-comum ou sardão (Lacerta lepida).
A lagartixa
de Bocage é um pequeno lacertídeo comum no continente, ocorrendo em diversos
habitats. Na Berlenga apresenta uma densidade elevada e distribuição muito
ampla. Diferente, contudo dos seus parentes continentais, esta população
constitui aqui um endemismo. É a lagartixa de Bocage da Berlenga (Podarcis
bocagei berlengensis).
Quanto ao
lagarto, a sua população encontra-se concentrada em colónias, situadas nos
locais restritos da ilha onde o solo mais abunda e se torna possível a ocupação
de tocas ou galerias.
Os sardões
da Berlenga exibem diferenças em relação aos continentais, diferenças
manifestadas quer ao nível do comportamento, nomeadamente na ritualização da
agressividade, quer ao nível da morfologia, de traços mais gentis.
O seu número
tem vindo a decrescer de forma alarmante, devido a vários fatores, entre os
quais a elevada densidade de gaivotas na ilha.
MAMÍFEROS
Os mamíferos
estão igualmente representados por duas espécies, o coelho-bravo (Oryctolagus
cuniculus) e o rato-preto (Rattus rattus).
A população
de coelho-bravo, já referida no século XV em carta régia de Afonso V ao
couteiro-mor da coutada real das «Berlengas-do-mar», encontra-se dividida em
colónias cuja localização coincide também com as zonas de solo mais abundante.
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