Com uma paisagem
fortemente marcada por uma vegetação rasteira, composta por plantas de porte
herbáceo e arbustivo, existindo apenas uma árvore, uma figueira (Ficus carica),
na praia do Carreiro do Mosteiro.
A ilha
contempla cerca de 100 espécies de plantas que florescem entre os meses de
Fevereiro e Maio, sendo algumas destas espécies únicas no planeta. Destes
endemismos fazem parte a Armeria berlengensis, Herniaria berlengiana e a
Pulicaria microcephala que, devido à antiguidade do isolamento da ilha e às
particularidades do substrato rochoso, adquiriram características que as tornam
diferentes das suas congéneres continentais.
De
distribuição muito restrita temos a Angelica pachycarpa que existe apenas no
litoral galego e nas escarpas da Berlenga; o Echium rosulatum e a Scrophularia
sublyrata, únicas do litoral atlântico ibérico.
Nos
últimos anos tem-se assistido a um decréscimo da flora existente, justificada
pelo excessivo número de gaivotas existentes na ilha cujos dejetos nitrificam o
solo, condicionando o desenvolvimento de várias espécies, que por sua vez
favorecem o desenvolvimento das plantas guanófilas (que "gostam" de
excrementos de aves), como é o caso do malmequer-amarelo (Calendula suffruticosa
algarbiensis), da urtiga (Urtica dubia) e da papoila (Papaver somniferum).
A
presença de coelhos e de ratos, sem predadores na ilha, provoca uma forte
pressão herbívora sobre determinadas espécies vegetais, sobretudo nas espécies
que conseguem sobreviver ao período de aridez, como por exemplo a Lavatera
arbórea. Esta espécie que na ilha dificilmente se observa é abundante apenas no
ilhéu de Inês, onde não se verifica a presença deste tipo de mamíferos.