


Flandres | Cabeça do Elegante | Ilha das Berlengas | Gruta da Muxinga
O granito da Berlenga corresponde a um tipo geológico único na Europa, sendo todavia comum no continente americano.
Na
costa de Peniche podemos observar belas arribas formadas por rochas
sedimentares com abundantes fosseis marinhos de idade mesozóica,
contemporâneas dos dinossáurios. Estas rochas em nada se assemelham às
que encontramos na Berlenga, nas Estelas e nos Farilhões. Nestas ilhas
ocorrem rochas magmáticas e metamórficas – granitos vermelhos bastante
deformados, gnaisses e xistos – que apresentam mais afinidade com outras
formações geológicas do interior da Península Ibérica.
Pensa-se
que as rochas graníticas do arquipélago das Berlengas se terão gerado
há cerca de 280 milhões de anos, durante a formação de uma importante
cadeia de montanhas – a cadeia Varisca – que na Era Paleozóica se
estendia desde o que hoje chamamos de Apalaches aos Urais. Esta cadeia
resultou do fecho de um grande oceano e da colisão das massas
continentais Gondwana e Laurentia, que bordejavam as suas margens.
Vestígios dos fundos desse oceano encontram-se ainda nas regiões de Beja
e Bragança-Morais, enquanto a chamada zona Sul Portuguesa e o Terreno
Ibérico faziam as suas margens opostas. Hoje, os geólogos discutem ainda
a verdadeira posição do arquipélago das Berlengas neste contexto
geodinâmico complexo.
Os
grupos das Estelas e da Berlenga são constituídos por rochas graníticas
de idade permocarbónica, alguns afloramentos de terraços marinhos
quaternários (conglomerados) e de areias de praia actuais.
Os
granitos apresentam cor vermelha ou esbranquiçada, com granularidade
média, ou, mais raramente, fina. Também podem ser observados Filões e
filonetes de microgranito, de quartzo e de barite. Contudo, o aspecto
mais relevante das rochas é a sua deformação.
Por
sua vez, o grupo dos Farilhões é constituído por rochas metamórficas,
xistos e gnaisses de idade ante-mesozóica, afectados por uma importante
fracturação.
ICNF – Reserva Natural das Berlengas, 2002