FUNDEADOURO DA ILHA DA BERLENGA
Navegado desde a antiguidade, o mar de Peniche tem no fundeadouro da Ilha da Berlenga o testemunho desta diacronia histórica.
A Ilha da Berlenga, pela sua localização estratégica no enfiamento da
importante rota marítima ligando o Sul ao Norte da Europa, viu as sua
águas fundeadas por embarcações de várias épocas.
A
memória destas navegações é perpetuada pelos vários achados subaquáticos
produzidos nos últimos anos, destacando-se destes, âncoras em pedra de
horizonte fenício-púnico, cepos de âncora em chumbo e ânforas de época
romana, ou peças de artilharia, tipo falconete, em bronze, datáveis do
séc. XV.
As
águas do Fundeadouro da Berlenga, têm sido alvo, desde 2001, de uma
missão arqueológica que visa a prospecção e geo-referenciação de achados
subaquáticos, desenvolvida pelo Centro Nacional de Arqueologia Náutica e
Subaquática (CNANS) do Instituto Português de Arqueologia (IPA),
liderada por Jean Yves Blot, projecto que conta com o apoio logístico e
técnico da CMP e da RPM Nautical Foundation (Estados Unidos), e com a
colaboração do Clube Naval de Peniche e do investigador Dias Diogo. O
estudo dos materiais ânfóricos de época romana recolhidos durante esta
missão permitiu a identificação de uma forma dominante, a ânfora
Haltern 70.
Trata-se de uma forma produzida em larga escala entre meados do séc. I
a. C e meados do séc. I d.C., utilizada para o transporte de vinho – um
dos principais produtos transaccionados à escala do império romano. A
análise das pastas cerâmicas utilizadas permite-nos, dois mil anos
depois da sua deposição no fundo do mar da Berlenga, afirmar que estes
contentores terão sido fabricados na Bética (Sul de Espanha) tendo
transportado vinho produzido na actual Andaluzia, produto que em
trânsito destinar-se-ia ao consumo das colónias romanas norte-europeias.
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