a. Peniche é um dos principais portos de pesca do país, uma autêntica porta de entrada e saída, vinte e quatro horas por dia, para esse mar imenso que traz e leva anualmente milhares de pessoas. O mar faz parte do nosso território natural e, enquanto contexto de riscos, tem que ser considerado em qualquer mapeamento das estruturas da saúde que se leve a cabo.
b. A nossa vocação turística, que quase faz triplicar a população residente em certas alturas do ano, também é um fator a levar em conta, não só ao nível das necessidades de atendimento hospitalar da população local, como ao nível do impacto negativo que a inexistência de estruturas de atendimento hospitalar teria na escolha do nosso Concelho como destino turístico.
c. O forte pendor agrícola da zona rural do Concelho e a existência de unidades industriais com centenas de operários e operárias, como, por exemplo, uma das maiores fábricas de conservas do país, com mais de 800 trabalhadores a laborar em regime contínuo, é igualmente um fator que não pode ser descurado, quando se aduzem razões para a manutenção ou extinção de um serviço de saúde.
d. Relevante é ainda o facto de termos instalada em Peniche uma Escola Superior, com mais de 1300 alunos oriundos de todas as partes do país, que aqui fazem a sua vida diária, com as expetativas de qualidade que temos obrigação de lhes garantir.
e. Todas estas razões, devidamente fundamentadas, foram validadas em sede das estruturas decisórias do Estado, reafirmadas em sede de reuniões com dirigentes políticos e responsáveis da administração hospitalar, e objeto de cabimentação de verbas e processos de lançamento de concurso para obras de adaptação do Hospital. Tudo o que possa contrariar estas orientações, significa não honrar compromissos e, sobretudo, é revelador de processos menos transparentes onde a relação de confiança entre os autarcas, os munícipes e a Administração é legitimamente posta em causa.
Assim, e considerando que:
- A população de Peniche e os que fazem da nossa terra local de passagem por razões lúdicas ou profissionais, resultarão seriamente lesadas com o esvaziamento e possível encerramento do hospital de Peniche, tendo em conta alterações anunciadas.
- Que do ponto de vista do desenvolvimento económico e social do nosso território essas medidas terão igualmente um claro impacto negativo, de consequências dificilmente mensuráveis no imediato, mas certamente graves no futuro.
- Que não se alteraram as condições que estão na origem das decisões que, sobre esta matéria, tinham sido aprovadas pelo anterior Governo
A Assembleia Municipal de Peniche deliberou manifestar junto do governo português e tornar públicas as seguintes decisões:
- Reiterar a sua total discordância com a proposta de reorganização das estruturas hospitalares prevista para a Região Oeste e particularmente no que se refere ao Hospital S. Pedro Gonçalves Telmo de Peniche
- Defender a manutenção de um Serviço de Urgência Básica a funcionar 24 horas por dia, conforme decisão já tomada anteriormente
Peniche, 24 de Fevereiro de 2012
Rogério Cação

